Monday, December 14, 2009

 

A identidade dos sujeitos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).




Nada mais justificável e compreensível que a necessidade de “aprender por toda a vida”, considerando-se a complexidade do mundo contemporâneo e a velocidade com que se ampliam os conhecimentos. Portanto, não há um tempo específico e limitado pela idade para o aprendizado, a idade “correta” para estudar é aquela na qual se quer aprender.


As aprendizagens formais e informais são processos individuais,sociais, construídos coletivamente e sempre de forma mediada.
No caso da aprendizagem escolar, a mediação docente será tanto mais efetiva quanto o conhecimento que o docente tem acerca do sujeito da aprendizagem, do objeto de conhecimento, e dos processos de ensinar e aprender.

Para pensar no perfil dos alunos, é necessário refletir sobre a relação entre os saberes trazidos por esses alunos e a redefinição da identidade da educação de jovens e adultos, processo desencadeado pelo reconhecimento da diversidade sociocultural dos educandos, pelo embate entre o paradigma compensatório e a concepção de educação continuada.

A identidade da EJA não foi construída com referência às características psicológicas ou cognitivas da juventude, da maturidade e da velhice, mas em torno de uma “representação social enraizada, de um lado, no estigma que recai sobre os analfabetos nas sociedades letradas e, de outro, em uma relativa homogeneidade sociocultural dos educandos” (2005, p. 1120) – condição de camponeses, migrantes rurais, trabalhadores de baixa qualificação etc.

Durante algumas décadas, a EJA foi configurada somente como Educação de Adultos, objetivando, principalmente, a alfabetização destas pessoas. Nos últimos anos o que se observa é a juvenilização da EJA. No Brasil, esta realidade é devida, principalmente, a fatores como a exigência de certificação escolar para o mercado de trabalho, a elevada defasagem na relação idade/série e a redução da idade mínima permitida para a freqüência a essa modalidade, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996 (14 anos completos).

O perfil do jovem da EJA segundo Marta Kohl de Oliveira (1999), é o jovem, como o adulto, também excluído da escola, mas com maiores chances de concluir o ensino fundamental ou mesmo o ensino médio.
“É bem mais ligado ao mundo urbano, envolvido em atividades de trabalho e lazer mais relacionadas com a sociedade letrada, escolarizada e urbana "
(OLIVEIRA, 1999, p. 60).


São jovens que, por uma série de motivos, precisaram abandonar a escola, vivem em periferias, favelas, vilas e bairros pobres, principalmente nas grandes cidades; são majoritariamente negros,
circulam no espaço escolar um “incansável” número de vezes, com entradas, saídas e retornos, após o período estabelecido como o próprio para a vida escolar (de 7 a 14 anos).

Essas idas e vindas determinam a produção da situação de fracasso escolar.
Os mesmos jovens que foram excluídos desse sistema escolar são aqueles que atualmente regressam e encontram, nesse espaço, a mesma escola que deixaram e dificilmente conseguem se adequar a ela.

O reflexo dessa exclusão, infelizmente, está na permanência dos jovens na situação de oprimidos na sociedade em que vivem, é o resultado da entrada e saída contínuas dos jovens aos bancos escolares. Mesmo assim, percebemos uma insistência desses jovens na permanência dentro da escola, principalmente por reconhecerem e acreditarem no quanto ainda é imprescindível a escolarização para o acesso a empregos e possibilidades de melhoria na condição de vida.

É preciso garantir aos jovens a permanência no sistema de ensino e a continuidade de estudos. Isso se dará pelo cumprimento do direito público subjetivo, reconhecido constitucionalmente, mas não efetivado, da educação continuada ao longo da vida e de uma concepção ampliada da alfabetização, com a perspectiva do letramento.
Seria fundamental para o trabalho pedagógico captar os anseios e necessidades destes jovens. E para isso, é preciso entrar em contato com sua realidade, entender seus questionamentos do mundo.

A valorização desse retorno é fundamental para torná-lo um cidadão, já que representa a chance que, mais uma vez, esse jovem ou adulto está dando ao sistema educacional de considerar a sua existência social, sua condição de sujeito.
Valorizar significa garantir condições de permanência e viabilizar o aproveitamento de sua experiência existencial no mundo, através de práticas pedagógicas adequadas e relevantes para sua realidade social.

Não basta apenas que este jovem esteja matriculado na escola, é preciso que os conhecimentos que ele já possui e os que construirá no espaço escolar estabeleçam relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Só assim a aprendizagem fará sentido para estes sujeitos.

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