Sunday, December 06, 2009

 

Práticas de Leitura, Escrita e Oralidade no Contexto Social.



Pensamento infantil - A narrativa da criança.



Trabalho de Campo:
Peça que uma criança ou um adulto em fase inicial de escolarização conte uma história (não é necessário que seja seu aluno ou que estude na sua escola). Faça a gravação e/ou transcrição da narrativa e após, faça uma análise a partir do texto lido, do áudio e do vídeo.



Stefany é uma menina de cinco anos que está matriculada na pré-escola do Colégio Japão.
Após contato inicial com a criança pedi a ela que me contasse uma história e ela me disse que iria contar à história que a profe havia contado para eles. A história é do livro Dois amigos.
A narrativa de Stefany sobre a história Dois amigos, transcrita foi à seguinte: “Aqui, é um cachorrinho dando um papel escrito para o outro. Aí, o leão deu um outro papelzinho para ele também. O gatinho ficou com raiva. Aí, o leão deu outro pra ele; aí, ele foi embora.
Aí, o leão fez outro; aí, o outro ele gostou. Aí, o cachorrinho, ele lembrou do amigo dele. Aí, ele foi lá visitar o amigo. E encontrou o amigo e deu uma cartinha pra ele. Aí, ele encontrou um bichinho e fez uma outra cartinha e deu pra ele. Aí o cãozinho foi nadar com os peixinhos. Depois, ele encontrou o amiguinho dele. E aí, foi pra casa dele”.
Stefany executou a tarefa adequadamente incluindo tons de voz diferentes para cada um dos personagens e transcendendo o aprendizado, uma vez que passou a lembrar de outras histórias que já conhecia e que continham diálogo.
Embora a narrativa da criança tenha ido além da pura descrição das ilustrações, o roteiro seguido não se relacionava ao conteúdo que as imagens deveriam transmitir. Um fator foi decisivo para que a história de Stefany tivesse outro sentido: a presença de onomatopéias, ou seja, balões indicativos de diálogo, sentimentos ou estados fisiológicos. Para a criança, esses balões foram entendidos como cartas, como é possível verificar na expressão: “E encontrou o amigo e deu uma cartinha pra ele”.
"Também o elemento da dramatização é incorporado pelos pequenos no contato com narrativas", diz Lélia Erbolato Melo, linguista da Universidade de São Paulo (USP). "Eles vão percebendo e incorporando os ingredientes que tornam as histórias interessantes, como a ação, os conflitos e o inesperado, e trazem isso para aquelas que contam."

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